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sábado, 27 de abril de 2024

POEMA

 Poema matemático

Um quociente, apaixonou-se um dia doidamente

por uma incógnita

olhou-a com o seu olhar inumerável

E viu-a, do ápice à base,

uma figura ímpar;

Olhos rombóides, boca trapezóide

corpo ortogonal, seios esferóides

Fez da sua

uma vida

paralela a dela

Até que se encontraram

No infinito

"Quem és tu?" indagou ele

com ânsia radical

"Sou a soma do quadrado dos catetos"

Mas pode-me chamar hipotenusa

E de falarem descobriram que eram

- O que, em aritmética, corresponde

A almas irmãs

Primos-entre-si

E assim se amaram

Ao quadrado da velocidade da luz

Numa sexta, potenciação

Traçando

Ao sabor do momento

E da paixão

Retas curvas, círculos e linhas senoidais

Escandalizaram os ortodoxos

das fórmulas euclidianas

E dos exegetas do Universo finito

romperam convenções newtonianas

e pitagóricas

E, enfim resolveram-se casar

constituir um lar

Mais que um lar.

Uma prependicular

Convidaram para padrinhos

O poliedro e a Bissetriz

E fizeram planos equações e

diagramas para o futuro

Sonhando com uma felicidade

Integral

E diferencial

E se casaram e tiveram

uma secante e três cones

Muito engraçadinhos.

E foram felizes

Até aquele dia

Em que tudo, afinal,

vira monotonia.

Foi então que surgiu

O máximo divisor comum

Frequentador de círculos concentricos

Viciosos.

Ofereceu-lhe, a ela

Uma Grandeza Absoluta,

E reduziu-a a um denominador comum.

Ele, Quociente, percebeu

Que com ela não formava mais um todo.

Uma unidade. Era o triângulo,

Tanto chamado amoroso.

Desse problema ela era a fração,

Mais ordinária.

Mas foi então que Einstein descobriu a Relatividade.

E tudo que era espúrio passou a ser

Moralidade

Como aliás, em qualquer 

sociedade

Ouça "Poema" no Spreaker.

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